Tânia

Aquilo que sempre me prendeu em Tânia Oleiro, ao longo destes últimos anos em que a tenho ouvido tantas vezes, sempre com uma admiração crescente, foi, antes de mais, essa sua integridade, como fadista, essa sua entrega absoluta à narrativa de cada poema e ao desenho de cada melodia, como se esse fosse, naquele momento preciso, o único objectivo da sua vida e como se aceitasse o preço dessa entrega total a cada fado como um imperativo ético incontornável. E por isso mesmo cada fado que ela canta se torna importante – para ela, que nele nos dá tudo o que tem, como um equilibrista sem rede, e para nós, que somos agarrados por essa dádiva, e nos deixamos levar pelo privilégio de assim poder de algum modo participar, palavra a palavra, nota a nota, naquela travessia de risco.

Prof. Rui Vieira Nery, na introdução de Terços de Fado